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| Andrea Iannone liderou o dia em Austin... (Foto: Michelin) |
O primeiro dia de atividades da MotoGP terminou em surpresa. Ao contrário da expectativa por uma sexta-feira (20) dominada por Marc Márquez, foi Andrea Iannone quem completou o primeiro dia de atividades no Circuito das Américas no topo da folha de tempos.
Em um dia de sol e condições de pista lamentáveis ― com muita sujeira e ondulações ―, o #29 aproveitou a última de suas 27 voltas no traçado do Texas para cravar 2min04s599 e tomar a liderança do piloto da Honda por 0s056 já com o cronômetro zerado na segunda atividade do dia.
Embora seja apenas a sexta vez em 42 sessões já realizadas em Austin que Márquez fica fora do topo da tabela, o desfecho desta sexta não parece um prenúncio do que está por vir: o #93 tem ritmo para manter intacta sua sequência vitoriosa no GP das Américas. Especialmente se levarmos em conta que o titular da Honda não usou um pneu traseiro novo em seu ataque final à tabela de tempos.
Além da atuação de Marc, também chama a atenção o fato de cinco fábricas estarem presentes no top-9 texano: Suzuki ― com Iannone e Álex Rins ―, Honda ― com Márquez e Cal Crutchlow ―, Yamaha ― com Maverick Viñales e Valentino Rossi ―, Ducati ― com Jorge Lorenzo e Andrea Dovizioso ― e Aprilia ― com Aleix Espargaró.
Mas não é só isso. O principal assunto desta sexta-feira foi mesmo a condição do Circuito das Américas. Antes de o Mundial de Motovelocidade desembarcar na região sul dos Estados Unidos, os responsáveis pela pista usaram máquinas de polimento industrial para tentar eliminar as muitas ondulações causadas pelos carros da F1, mas o tiro parece ter saído pela culatra. No primeiro dia de trabalhos em Austin, os pilotos usaram palavras como ‘terrível’, ‘desastre’ e ‘perigosa’ para descrever a situação da pista.
“A MotoGP está em seu melhor momento na história. Temos de aplaudir a Dorna por ter feito um regulamento que permite quase 12 motos lutarem por tudo. Tenho certeza de que se dizem que trabalharam, é porque o fizeram, mas acho que o pó na reta oposta não levanta nem no Catar”, comentou Aleix Espargaró. “Isso na MotoGP não é aceitável. Tentaram limpar a pista, mas não conseguiram”, resumiu.
Danilo Petrucci foi um pouco mais ácido e avaliou que condições como as de hoje só foram vistas na época de Giacomo Agostini e Mike Hailwood.
“Aqui nós temos muitas dificuldades com as ondulações. Eles dizem que lixaram as ondulações, mas talvez tenham feito isso em outro circuito, porque tem muito mais ondulações do que no ano passado”, comparou o piloto da Pramac. “Não acho seguro correr numa pista assim. Quer dizer, estamos no campeonato mundial e eu nunca vi uma pista assim nem no campeonato nacional”, criticou.
“Com certeza, o Mundial é o mais difícil do mundo, e nós temos de correr em todas as condições e todas as pistas. Mas acho que cair por conta de ondulações é uma coisa que talvez Hailwood e Agostini tenham tido em suas carreiras! E hoje nós tivemos muitas quedas por conta de ondulações”, comentou.
Jorge Lorenzo seguiu a linha dos rivais e considerou que foi difícil ter um bom ritmo em condições como as de hoje.
“O asfalto de Austin não é especialmente bom no que diz respeito à aderência e o pioraram. É mais difícil fazer os tempos. Todos foram mais lentos e não melhoraram as ondulações. Foi difícil ter um bom ritmo em cima da moto”, considerou.
Oitavo e mais de 1s atrás de Iannone, Andrea Dovizioso considerou que as ondulações dificultam a performance da Ducati e alertou que não sabe o que esperar com a previsão de chuva.
“As ondulações são muitas, e é difícil ser fluido. Nós não estamos tão mal, mas têm muitos que são fortes. Espero que a chuva possa ajudar, mas vai depender do asfalto”, apontou.
Tradicionalmente bem humorado, Valentino Rossi comparou a pista norte-americano com seu rancho.
“A pista está em condições preocupantes. Tanto pela poeira, quanto pela falta de aderência e pelos buracos. Parece que estamos em Laguna Seca. Neste sentindo, é a pior do ano”, resumiu. “Com toda a poeira que tem na reta é como se eu estivesse andando no rancho”, brincou.
“Não estamos acostumados a pilotar com tantos buracos. Na reta oposta, em quinta ou sexta, a moto treme muito. E na freada também”, indicou.
Invicto em Austin, Márquez também se queixou das condições e avaliou que o estado do asfalto favorece, inclusive, a Yamaha.
“Todo mundo esperava menos ondulações, mas a verdade é que tem muitas e você tem de se adaptar a elas”, ponderou. “Quando elas existem, as Yamaha conseguem ir muito bem, por isso Valentino e Viñales estão na frente. O limite não está tão longe com tantas ondulações. No ano passado, nós já pedimos que isso fosse arrumado, mas não aconteceu. Parece que de um ano para o outro alguma coisa se move sob a superfície”, comentou.
Mesmo assim, Marc sabe que tem vantagem em relação aos rivais, ainda que com uma margem menor do que gostaria.
“Tenho um bom ritmo, mas Viñales está próximo. É verdade que estou um passinho na frente, mas tampouco tem muita diferença”, avaliou. “Eu gostaria de ter mais, mas estou contente com a forma como estou me sentindo. Ainda temos coisas a melhorar”, opinou.
Líder dos trabalhos, Iannone se mostrou satisfeito com a moto e concluiu que será importante repetir o bom desempenho no sábado.
“Tenho um bom feeling neste circuito e com a moto. As condições são difíceis, porque a pista está suja, mas é a mesma coisa para todo mundo. Estou realmente feliz, pois trabalhamos bem hoje”, falou Andrea. “O mais importante é continuar assim amanhã e seguir focado. Com certeza, a meta é ficar no top na classificação, porque ultrapassar é difícil, então é melhor começar a corrida na frente. É difícil se recuperar vindo de trás, e é mais difícil mostrar nosso potencial. Esperamos melhorar amanhã, e acredito que tudo é possível, porque me sinto positivo e pronto para lutar”, concluiu.
