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| Emily Lima foi demitida da Seleção feminina de futebol no último dia 22 de setembro (Foto: Lucas Figueiredo/CBF) |
O dia 1 de novembro de 2016 foi marcado
por um acontecimento histórico na Confederação Brasileira de Futebol.
Pela primeira vez, uma mulher assumia o comando técnico da seleção
feminina de futebol. Com um vasto currículo e 25 anos de experiência,
Emily Lima foi o nome que a instituição escolheu para ficar a frente das
atletas que representam a Amarelinha. No entanto, depois de um ótimo
início, com goleadas sobre as seleções da Costa Rica, Rússia e Itália, a
técnica passou por um período conturbado com relação à entrega de
resultados, sofrendo duros placares dos times da Austrália e Alemanha, o
que levou ao seu desligamento com o órgão supremo do futebol nacional.
Substituída pelo treinador Vadão,
que já havia sido acionado para comandar a Seleção feminina de futebol
em outras oportunidades, Emily discordou do planejamento traçado pela
CBF a partir de agora. “Ele (Marco Aurélio Cunha, coordenador técnico do
futebol feminino) diz que está em transição. Ia fazer uma transição com
quem? Com o Vadão? Que não sabe nada de futebol feminino. Eu podia
fazer uma transição com alguém que está há 20 ou 30 anos no futebol
feminino, sendo que eu estou há 25. Tudo isso acarretou para um início
de trabalho muito conturbado. Não tínhamos diálogo. Não estou culpando
ninguém, ele que diz que temos que culpar alguém quando saímos de algum
lugar. Realmente, ele tem bastante para se culpar. A responsabilidade
dos resultados é minha, e eu assumo isso, eles não vieram neste momento.
Mas meu acerto inicial não eram resultados imediatos, era planejamento
para a Copa América e Olimpíadas, isso não deu tempo”, acrescentou.
Na última sexta-feira, a treinadora foi demitida da Seleção
e deu declarações impactantes ao afirmar, principalmente, que não tinha
respaldo da própria CBF, representado pelo Marco Aurélio Cunha.
Questionada sobre sua saída, Emily ressaltou que, após os resultados não
satisfatórios, já esperava a notícia. “Mais cedo ou mais tarde, devido à
não comunicação com o coordenador (Marco Aurélio Cunha). Acho que a
minha posição foi esperar um momento de desgaste com os resultados para
que isso acontecesse. Eu entrei para trabalhar de verdade, entrei para
fazer as coisas acontecerem e para ajudar a modalidade, para ajudar a
Seleção Brasileira. Algumas coisas foram desgastantes e o presidente
(Marco Polo Del Nero) foi curto e grosso. Disse que eram aqueles os
resultados e precisava de mudança. Mostrei algumas coisas que tinha
buscado em relação aos resultados de 2015 e 2016, fiquei sem entender se
era isso mesmo”, disse.
Ainda assim, a treinadora destacou que, ao
comparar com situações antigas, deparou-se com algumas coincidências em
derrotas, principalmente pelas equipes pela qual foi superada em seus
últimos meses de trabalho, o que a deixou ainda mais duvidosa sobre o
real motivo de seu desligamento. “Não foram resultados bons, agora,
foram três derrotas contra seleções que já tínhamos jogado. Fui
recapitular, e no início do trabalho da outra comissão, em 2015,
perderam para a Alemanha por 3 a 1, isso em março de 2014. Em abril de
2015, perderam também. Classificaram para o mundial com resultados
(exemplo: 1 a 0) justos e pegaram Austrália nas quartas, caíram. Estes
resultados não fez com que a comissão técnica passada caísse. Assisti a
uma entrevista do Marco, que afirmou acreditar no trabalho do nosso
antigo treinador, que não via somente resultados, mas o trabalho em si, o
que se contradiz. Eu já nem precisei buscar outras coisas para perceber
que não eram somente os resultados. Saio com a cabeça muito tranquila,
com a comissão técnica toda sabendo do trabalho que fizemos e, o mais
importante, sem ferir meus princípios. Agora é continuar trabalhando.
Vida que segue. Experiência boa, aprendi muita coisa com as meninas”,
definiu.
Pronta para novos desafios, a treinadora
não descarta um retorno para a Seleção em breve, mas acredita que a
melhor opção para o momento é permanecer afastada. “É um momento de
reflexão. Eu já estou, graças a Deus, vendo outras coisas. Vou continuar
seguindo no meu trabalho. Hoje não penso (em voltar), amanhã também não
e depois de amanhã não. Depois, lá na frente, eu já não sei. Mas a
verdade é que acho que não tenho o perfil para trabalhar com pessoas que
não querem ajudar o futebol feminino num todo”, completou.
Procurado também pela Gazeta Esportiva,
para poder esclarecer sua parte com relação ao que foi apontado pela
ex-treinadora da Seleção feminina, o coordenador técnico da CBF, Marco
Aurélio Cunha, limitou-se a dizer: “Nada faltou para o seu trabalho.
Como ela (Emily Lima) mesma disse, como funcionária. Foi tudo perfeito.
Minha missão sempre foi oferecer toda a estrutura da CBF e assim o
fizemos”.
Fonte:Gazeta Esportiva
