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| AFP |
Bristol (EUA) – Foi a mais extraordinária entrevista coletiva da história da FIFA, tão surpreendente que havia no máximo 15 repórteres presentes no vasto auditório quando Sepp Blatter chegou ao microfone para dizer que está renunciando ao cargo de presidente da entidade.
É bom lembrar que, há 48 horas, perguntado pela imprensa suíça se iria renunciar, Sepp Blatter reagiu desta forma:
“Renunciar? Por que? Se eu renunciasse seria uma admissão de que eu estava errado e eu não estou errado”.
Na véspera, sábado, em uma outra entrevista coletiva, esta sim, presenciada por um grande número de representantes da imprrensa de diversas partes do mundo, Blatter tinha se mostrado eufórico, implacável, quase arrogante, impenitente. Declarou-se vítima de uma “conspiração” dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha e mostrou firme determinação de seguir adiante.
Na sexta-feira, ao ser reeleito, gritou duas vezes: “Let’s go, FIFA. Let’s go, FIFA”.
Mas ele é quem foi.
O que aconteceu para Sepp Blatter mudar tão repentinamente de rumo?
Os mais irônicos poderão especular que deve ter sido o apoio que recebeu de Pelé.
Os mais práticos devem suspeitar de que Jack Warner, o ex-presidente da CONCACAF que recebeu dez milhões de dólares para votar na África do Sul como sede da Copa do Mundo de 2010, deve ter alguma coisa com esta súbita renúncia, num dia em que ficou claro que gente muito próxima a Blatter, como Jérôme Valcke, Secretário-Geral da FIFA, sabia de suspeitas transferências bancárias.
Blatter chegou ao fim da linha, mas a história não acabou.
Campo Neutro - Blog do José Inácio Werneck
