A Espanha atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República e
aceitou transferir ao Brasil o processo criminal e inquérito existente
contra o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira. O compromisso, porém, é
de que ele seja investigado e processado no País. O cartola havia sido
indiciado na Espanha por corrupção, em um caso que levou à prisão do
ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell.
Um ordem de prisão
foi emitida em Madri. Mas diante da lei brasileira que rejeita a
extradição de nacionais, a opção foi a de transferir o caso de forma
completa ao Brasil, na esperança de que ele possa enfrentar de fato a
Justiça.
A decisão da Audiência Nacional na Espanha de
transferir o caso ao Brasil foi decretada em meados de outubro e,
segundo o jornal O Estado de S.Paulo apurou, representa um passo
"decisivo" para uma investigação no País.
Procuradores federais
brasileiros receberam em meados deste ano informações oficiais de que a
Justiça espanhola emitiu uma ordem internacional de prisão contra o
brasileiro. Ele já tinha o mesmo pedido vindo dos Estados Unidos. Agora,
com o sinal verde da Audiência Nacional na Espanha, todos os documentos
das investigações contra Ricardo Teixeira, seus extratos bancários e
gravações serão enviados ao Brasil.
Quando o procedimento for
completado e se a investigação brasileira concluir que existe um crime
no Brasil, Ricardo Teixeira então poderia ser detido no País. Ele fora
considerado por procuradores em Madri como um dos pilares de uma
"organização criminosa" que envolveu amistosos realizados pela seleção
brasileira.
Conforme o jornal O Estado de S.Paulo revelou ainda
em 2013, acordos secretos permitiram que a renda dos jogos da seleção
fosse desviada para uma empresa em nome de Sandro Rosell, aliado de
Ricardo Teixeira. Em meados deste ano, Rosell foi preso e a Justiça
espanhola apontou que parte do dinheiro que ia para sua empresa, a
Uptrend, terminava com o próprio Teixeira. "Durante 2010, Teixeira e sua
mulher eram detentores de dois cartões Visa Platinum, com contas da
Uptrend em Andbank", apontou a Justiça espanhola.
"Resulta da
investigação que, de sua posição de presidente a CBF, (Ricardo Teixeira)
influenciou na concessão de direitos audiovisuais aos jogos da seleção,
e, enquanto isso, por trás e para o prejuízo da CBF, Rosell negociava
um contrato de intermediação", apontou o documento do processo do caso
do ex-dirigente catalão.
Os investigadores concluem, portanto,
que "parte dos fundos não foi para a CBF, senão que, de uma forma
fraudulenta, foram ao próprio Teixeira". De acordo com a Audiência
Nacional, na Espanha, os fatos apurados levam a crer que o brasileiro
acabaria sendo o "destinatário do dinheiro, e não a Confederação (CBF)".
As autoridades espanholas ainda chegam à constatação de que o delito
de Ricardo Teixeira foi "a apropriação por parte do presidente da CBF
dos fundos pagos para obter os direitos dos partidos jogados pela
seleção brasileira". Desde a prisão de Sandro Rosell, a defesa de
Teixeira tem negado qualquer tipo de irregularidade.
A
insistência do brasileiro em declarar a sua inocência não convenceu a
juíza Carmen Lamela, da Audiência Nacional, que pediu sua prisão.
"Teixeira obteve, de forma indireta, mediante a um emaranhado societário
que se nutria da renda do acordo da ISE para a Uptrend, grande parte
dos 8,3 milhões de euros que a ISE transferiu para a Uptrend pela
suposta intermediação desta última", afirmou. A decisão da juíza seria
do dia 12 de junho.
CUNHA - A transferência do processo judicial
ao Brasil segue o mesmo procedimento que já foi realizado com o
ex-deputado Eduardo Cunha. Ao garantir que o parlamentar seria julgado
no País, a PGR conseguiu convencer a Suíça a transferir centenas de
páginas de provas sobre suspeitas relacionadas com Cunha ao Brasil.
Berna, entre 2014 e 2015, investigou o ex-político brasileiro e abriu um
inquérito por corrupção passiva. Mas, mesmo se o condenasse, não
conseguiria convencer as autoridades brasileiras a entrega-lo. Pelas
leis nacionais, o Brasil não extradita seus cidadãos.
A Suíça,
assim, entregou as provas sobre as contas secretas de Eduardo Cunha e os
procuradores brasileiros conseguiram processar o ex-deputado federal,
inclusive por evasão. Agora, o mesmo cenário deve ocorrer com Ricardo
Teixeira, mas desta vez com a Espanha.
Fonte:O Popular
