A série de entrevista do programa Arena Transamérica com os postulantes
ao cargo de presidente do Bahia chegou ao terceiro dia. Nesta
quarta-feira (29) foi a vez do apresentador Márcio Martins e do
comentarista Dito Lopes conversarem com Guilherme Bellintani.
Advogado e ex-secretário da Prefeitura de Salvador, o candidato da
situação comentou sobre suas propostas. Um dos pontos mais discutidos
por ele foi a forma de elevar as receitas do clube.
Bellintani também comentou sobre a formação do grupo de atletas para a temporada de 2018 e traçou um perfil do elenco.
O Galáticos Online acompanhou toda a entrevista e resume, abaixo, os principais pontos abordados pelo candidato, por tema.
Confira as respostas de Guilherme Bellintani:
Resumo do projeto para o Bahia
Tem três coisas muito importantes. Primeiro consolidar os ganhos e
acertos da atual gestão. Tudo que foi bem desenvolvido tem que ser
mantido ou até melhorado. Segundo, é trazer inovação. A nação quer um
presidente que consiga colocar o Bahia em um patamar ainda maior.
Precisamos de novas formas de arrecadação de recursos e potencialização
de receitas. Terceiro, uma política de futebol que dê sequência aos
acertos dos últimos anos e corrija os defeitos. Nossos projetos se
concentram nestes três níveis de atuação.
Como aumentar a receita
O Bahia tem uma receita, hoje, de R$ 100 milhões. Quase R$ 30
milhões são para pagar dívidas antigas, de gestões anteriores a Marcelo
Sant'Ana e Fernando Schimdt. Um pouco mais do que R$ 30 milhões para
pagar folha do profissional. Só aí já se vão quase R$ 60 milhões. Dos
outros R$ 40 ainda precisamos pagar os custos da divisão de base e do
clube. Sobra muito pouco para investir no futebol. Por isso, tenho dito
que o presidente do Bahia precisa ser alguém que entenda de números, que
entenda de economia. O Bahia precisa aumentar a arrecadação. A gente
pode elevar a receita do clube. Guilherme Bellintani não é um cara de
falar o que precisa fazer sem dizer como. Temos que revisar
completamente a política de royalties. O Bahia, hoje, ganha menos do que
R$ 1 milhão por ano de royalties. Tudo que é vendido do Bahia, uma
caneta, uma caneca, qualquer produto gera royalties. Da camisa do Bahia,
que custa R$ 240, só volta para o clube R$ 11. Está errado isso. Eu vou
ter a coragem de colocar o dedo nessa ferida. Acredito que chegaremos
em 2020 com uma receita de R$ 7 milhões arrecadados em royalties. Essa
receita extra será investida em futebol. Não podemos gastar o que não
temos, mas o que entra é para o futebol. O Bahia é um clube de futebol,
precisa colocar a bola na rede. Outra questão é o programa de sócios. É
burocrático para se associar. Fui analisar o formulário de inscrição
para o sócio. Para que o Bahia quer saber o RG do sócio? Nome do pai, da
mãe. Para que isso? É perda de tempo. Se ele está no computador, a
internet cai. Se está na rua, no celular, dá tempo do ladrão levar seu
aparelhio. É tanta perda de tempo que o torcedor desiste e deixa para o
outro dia. É preciso dar vantagens de verdade ao torcedor do Bahia para
que ele se associe.
Campanha do time na Série A
Nos últimos 20 ou 30 anos, não temos referência de quando o Bahia
disputou a parte de cima da tabela. O torcedor não está satisfeito com
isso. O Bahia ficou sete anos na Série B e C, dez anos sem ganhar um
estadual. Houve uma evolução, mas não estou satisfeito. Temos que
aprender com o erro, saber porque o time poderia ter um rendimento
melhor nessa reta final e não teve.
Formação do elenco
Não vou falar de pessoas agora. Tenho respeito a esse processo
eleitoral e ao sócio, que vai escolher se serei ou não presidente.
Primeiro precisamos entender qual o perfil do time. Queremos a
manutenção de parte razoável deste atual elenco. A parte que não temos
contrato e queremos renovar, vamos partir para cima. E quem vier, tem
que se encaixar no perfil do time. Um time jovem, rápido, que tem dois
volantes firmes, que permitem que os laterais subam. Um time que tem
dois zagueiros que erraram muito pouco no campeonato. Um time que do
meio para frente é muito rápido. Precisamos de reposição que dê um outro
patamar ao elenco. Precisamos de quatro a seis atletas para este início
do ano. Precisamos continuar trazendo jogadores jovens, como Zé Rafael e
Edigar Junio, que são jogadores novos com um grande rendimento. Chega
do Bahia trazer jogador de barriga cheia, ex-atleta em atividade. Vamos
decretar em 2018 o fim do fim de carreira no Bahia.
Foto vazada em reunião com Renê Junior
Não conversamos com o Renê sobre isso. Não sou presidente, sou
candidato. Foi um encontro de 15 minutos. Fizemos isso através de
pedidos de atletas próximos, que queriam saber o que os candidatos
pensam para o Bahia.
Gestão ideal
Há um discurso no futebol brasileiro de que o sujeito para
administrar um clube tem que ser ou empresário ou boleiro. Já conhecemos
as péssimas experiências de pessoas exclusivamente da bola gerindo
clube. Qual foi a experiência que vamos aplaudir de um boleiro dirigindo
um clube de futebol nos últimos anos? Não podemos permitir que um
empresário administre o clube, um empresário que olha para o futebol e
vê apenas números, planilha. Tenho a experiência da vivência do clube.
Frequento arquibancada desde sete anos de idade. Ajudei no clube desde a
intervenção com Carlos Rátis. Participei ativamente da gestão de
Marcelo Sant'Ana. A gestão de um clube de futebol não é como em uma
empresa qualquer. Essa experiência tive ativamente nos últimos três a
quatro anos.
Cidade Tricolor
Defendo que a migração seja integral para a Cidade Tricolor. Tanto
do profissional como da divisão de base. Não temos orçamento para manter
dois centros de treinamentos. Defendo essa migração para janeiro de
2019. E temos que fazer da Cidade Tricolor um centro de formação
diferenciado de atletas.
Divisão de Base
Temos exemplos aí de resultados da Divisão de Base, que são Jean e
Juninho Capixaba. Nesse ano o Bahia revelou mais do que nos últimos
anos. Jean tem 21 anos apenas. Para goleiro é muito jovem ainda. Mas, a
Divisão de Base do Bahia precisa se estruturar mais. O Sub-20 do Bahia
hoje tem uma carga maior de atletas. São três faixas de atletas reunidos
em uma mesma categoria. São atletas de 18, 19 e 20 anos. Precisamos
repensar isso. Precisamos do Sub-23 para alongar essa relação do atleta
com o clube, para que ele se prepare para o profissional. Imagine se,
hoje, o Armero estivesse atuando, com a titularidade, o que seria de
Juninho Capixaba?
Relação com a imprensa
Existem erros variados, às vezes do Bahia e às vezes da imprensa. A
Imprensa precisa cada vez mais pesquisar as coisas antes de divulgar,
também. Cobrarei da imprensa responsabilidade na divulgação de
informações do clube. Estudei na faculdade jornalismo que a fonte
original, nesse caso, é o clube. Comigo a imprensa terá relação franca,
aberta, inclusive para criticar quando assim eu merecer. O que não pode
haver é a falta de apuração da informação. Quem me conhece, seja da
atuação na iniciativa privada ou pública, sabe que não sou de fugir de
responsabilidade. Precisamos ter uma relação aberta, franca com a
imprensa, sem restringir qualquer atuação de veículos ou profissionais.
Fonte:Galáticos Online
