Robert Scheidt é um dos velejadores
brasileiros mais vitoriosos em Olimpíadas e poderia ter conquistado a
sua sexta medalha no maior evento do mundo durante o Rio 2016,
entretanto terminou na quarta colocação apesar de ter vencido a medal
race. Em entrevista à Gazeta Esportiva, o atleta de 44
anos admitiu que poderia ter conseguido ter conquistado uma medalha no
ano passado, entretanto se disse satisfeito com seu desempenho.
“Para mim foi muito próximo, foram apenas
dois pontos. Antes da medal race, eu estava perto da liderança, mas não
velejei bem, larguei mal e fiz regata de recuperação. Caí para quinto, e
mesmo ganhando (a última regata), fiquei dependendo da matemática. No
final foi positivo. Seria minha sexta medalha, um recorde (Torben Grael
também tem cinco medalhas olímpicas), mas acho que fiz uma boa
campanha”, declarou.
Além disso, o duas vezes medalhista de
ouro olímpico na classe Laser – a mesma em que ele competiu nos Rio de
Janeiro – negou que a idade o atrapalhou. Ele ainda analisou a
participação da equipe de vela brasileira em 2016.
“Acho que não (atrapalhou). Teria sido
mais confortável competir com 25 anos, porque sua capacidade de
recuperação é maior e você aguenta maior carga de treino. Tive muito
cuidado com a carga de treino. Uma coisa é o instinto e outra a
possibilidade de lesionar. Isso, com 25 anos, você pode fazer o que
quiser. Com 43, o corpo reage diferente. Não afetou o resultado. Me
senti bem durante os Jogos Olímpicos”, disse Scheidt.
“Acho que em um cenário altamente
positivo, teríamos a chance de três ou quatro medalhas, mas isso com
tudo dando certo. As classes que tinham a maior chance ficaram próximas
do pódio. A Martine (Grael) e Kahena (Kunze) eram a dupla certa, na hora
certa e no auge da carreira”, completou o 13 vezes campeão mundial.
Robert Scheidt também destacou que os
atletas irão ter mais dificuldades para se prepararem para os Jogos
Olímpicos 2020 – que serão disputados em Tóquio –, elogiou a geração
atual e elogiou a atual gestão da Confederação Brasileira de Vela
(CBVela).
“A vela tem muito a questão de treinar
onde você vai competir. No Japão vai ter um investimento muito diferente
do Brasil, quando as pessoas, os melhores do mundo, vinham treinar
aqui. Então é um pouco mais difícil pela viagem”, comentou. “Acho que
temos ótimos talentos, como o Jorginho e a Patrícia, e os velejadores
mais consagrados, como Fernanda Oliveira e o Bimba (Ricardo Winicki).
Acho que essa é uma boa mistura. Vamos torcer para continuarmos
representando bem o país”.
“A confederação teve mudanças. Até quatro
anos atrás ela era muito problemática. Depois teve a criação CBVela que
iniciou uma gestão profissional. Acho que a vela está em boas mãos.
Temos um bom apoio do Comitê Olímpico e quanto mais patrocínio, mais vão
investir”.
Por fim, o velejador paulista negou que
para praticar vela seja necessário se ter muito dinheiro. “O esporte de
alto nível requer investimento. Em outra modalidade a pessoa também
precisa de mais dinheiro, porque ela precisa viajar e tudo tem um valor
maior”.
“Não é preciso ter tanto investimento para
velejar. Dá para ter um barco pelo prazer. Comprar um barco utilizado. A
pratica da vela não é um investimento tão alto, só que nas olimpíadas
tem muito investimento. Muita gente não sabe disso. Além disso, as
pessoas têm receio de levar o filho para a água. Ainda tem muito receio e
existem barreiras. Então tem que ir quebrando (as barreiras) e ir
divulgando (o esporte), porque você aprende sobre meteorologia e muitas
outras coisas na vela. Isso é bom para a criança”.
Fonte:Gazeta Esportiva
