O Corinthians queria aproveitar a partida
contra o Racing, válida pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana,
para recuperar a confiança para o Campeonato Brasileiro. Em alguns
momentos do jogo da noite desta quarta-feira, em Itaquera, até fez
lembrar aquele time que destoou na competição nacional. Só que cedeu o
empate por 1 a 1 ao time argentino.
O gol corintiano foi marcado por Maycon,
no primeiro tempo, em boa jogada do lateral esquerdo improvisado Marciel
(único reserva corintiano em campo, já que Guilherme Arana segue
contundido). No segundo, Triverio igualou em um rebote de Cássio.
Assim, o Corinthians ampliou o seu jejum
de vitórias em Itaquera – a última foi por 3 a 1 sobre o Sport, em 5 de
agosto, em uma época em que o líder do Brasileiro ainda tinha ares de
imbatível. Depois, contudo, acumularam-se derrotas para o Vitória e o
Atlético-GO, ameaçados de rebaixamento, e para o Santos, além de um
triunfo suado sobre a Chapecoense.
A próxima tentativa de o Corinthians
reagir será contra o Vasco, no domingo, em Itaquera, pelo Brasileiro. O
reencontro com o Racing será na quarta-feira que vem, no Cilindro de
Avellaneda, onde a equipe dirigida por Fábio Carille precisará da
vitória ou de um empate com placar superior a 1 a 1 para avançar na
Sul-Americana sem a necessidade de pênaltis.
O jogo – A postura do Racing
surpreendeu Fábio Carille. Mesmo com uma linha de cinco jogadores na
defesa, o time argentino valorizou a posse de bola no início de partida,
ao contrário do que fizeram Vitória e Atlético-GO, bem-sucedidos em
Itaquera.
O problema era o que fazer com a bola.
Ainda menos criativo do que o Corinthians se mostrou em suas últimas
apresentações, o Racing não ia além da ameaça, na intermediária. Parecia
a sua torcida, que cantou muito antes da partida e silenciou,
apreensiva, ao apito inicial do árbitro paraguaio Éber Aquino.
Assim, marcando sob pressão, o Corinthians
começou a investir timidamente contra os argentinos. Contava com
Marciel, que superou Moisés como reserva imediato do lesionado Guilherme
Arana, animado para auxiliar Romero no ataque. No meio, no entanto, o
participativo Rodriguinho era atrapalhado. E, na direita, Jadson ainda
não tinha o ímpeto de outros tempos.
Foi apenas aos 27 minutos que o
Corinthians assustou, de fato, o Racing. Em um cruzamento da esquerda de
Marciel, Rodriguinho cabeceou para o chão no meio da área. A bola
quicou no gramado e acertou o travessão, em lance que fez torcida e time
da casa passarem a ser mais vibrantes.
O Corinthians abriu o placar dois minutos
depois. Marciel novamente apareceu bem do lado esquerdo, cortando a
inocente marcação do Racing, e passou para Maycon. O seu antigo
companheiro de categorias de base deu um chute despretensioso e acertou o
canto da meta.
Voltando a marcar um gol em Itaquera após
mais de um mês (os últimos haviam sido sobre o Sport), o Corinthians
enfim se soltou e teve mais de um lampejo do futebol que o levou ao
título paulista e à liderança folgada do Campeonato Brasileiro.
Quase em seguida ao gol, Romero recebeu a
bola de Fagner e bateu consciente, mas para fora. Aos 36 minutos, em
novo cruzamento do lateral direito, Rodriguinho surgiu na entrada da
área e foi ainda mais perigoso em sua finalização. Desta vez, o goleiro
Musso, mesmo contundido, fez grande defesa.
O Racing esperou o intervalo para corrigir
os seus erros. No início do segundo tempo, o time de Avellaneda se
lançou novamente ao ataque e conseguiu fazer com que Cássio trabalhasse
três vezes em menos de dez minutos. Aos 11, a bola só não entrou porque
Pablo afastou para escanteio depois de um cruzamento rasteiro de
Lisandro López, da esquerda.
O Racing sofreu uma baixa quando era
melhor na partida. O goleiro Musso, que chiava de dores desde o primeiro
tempo, precisou ser substituído por Gastón Gómez. Carille também mandou
os seus reservas se aquecerem, mas preferiu aguardar um pouco mais para
mexer no Corinthians.
Com o futebol dos donos da casa bem abaixo
daquele visto no final do segundo tempo – à exceção de uma cabeçada de
Maycon, defendida por Gastón Gómez –, o que mudou foi o marcador. Aos 29
minutos, Lisandro López chutou forte da entrada da área, e Cássio deu
rebote. A bola sobrou limpa para Triverio empurrar para a rede.
Carille, então, entrou em ação. Trocou
Marciel, Rodriguinho e Gabriel por Camacho, Giovanni Augusto e Fellipe
Bastos. Àquela altura, porém, a quieta torcida corintiana já parecia
prever que não seria nesta quarta-feira a reação do time derrotado em
três dos seus quatro jogos anteriores.
FICHA TÉCNICA
CORINTHIANS 1 X 1 RACING
Local: Estádio de Itaquera, em São Paulo (SP)
Data: 13 de setembro de 2017, quarta-feira
Horário: 21h45 (de Brasília)
Árbitro: Éber Aquino (PAR)
Assistentes: Milciades Saldivar (PAR) e Dario Gaona (PAR)
Público: 25.451 pagantes (total de 25.776)
Renda: R$ 1.309.947,50
Cartões amarelos: Fagner (Corinthians); Barbieri e Triverio (Racing)
Gols: CORINTHIANS: Maycon, aos 29 minutos do primeiro tempo; RACING: Triverio, aos 29 minutos do segundo tempo
CORINTHIANS: Cássio; Fagner,
Balbuena, Pablo e Marciel (Camacho); Gabriel (Fellipe Bastos), Maycon,
Jadson, Rodriguinho (Giovanni Augusto) e Romero; Jô
Técnico: Fábio Carille
RACING: Musso (Gastón Gómez);
Solari (Mansilla), Vittor, Barbieri, Orban e Soto; Pulpo González,
Arévalo Ríos e Zaracho (Marcelo Meli); Lisandro López e Triverio
Técnico: Diego Cocca
Fonte:Gazeta Esportiva
