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| Emanuel é o jogador mais vitorioso da história do vôlei de praia (Foto: Daniel Garcia/AFP) |
Emanuel já começa a se habituar com uma rotina menos intensa. Acostumado a competir em alto nível por mais de duas décadas, agora com 42 anos um dos maiores jogadores da história do vôlei de praia planeja seu pós-carreira. Depois de anunciar sua aposentadoria na última segunda-feira, o medalhista de ouro nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, se prepara para sua última competição como profissional: o Grand Slam do Rio de Janeiro. Apesar de ainda ter mais um compromisso, ele garantiu em entrevista à Gazeta Esportiva que não está focado em atingir um bom resultado e, sim, curtir seus últimos momentos dentro da quadra.
“Não estou almejando alto rendimento nesse torneio, acho que vou mais para curtir. Durante 25 anos entrei nas competições com um espírito totalmente profissional e acho que dessa vez quero fazer diferente, entender os bastidores, atender os fãs, patrocinadores. Não vou focar apenas no resultado”, afirmou.
Agora o multicampeão nas areias terá a missão de representar os atletas do vôlei de praia na CBV (Confederação Brasileira de Vôlei). Emanuel foi eleito recentemente presidente da Comissão de Atletas da entidade e buscará fazer a diferença nos bastidores após anos de dedicação no esporte. Segundo ele, há ainda muito o que melhorar na estrutura do vôlei de praia no Brasil e o modo como a modalidade é tratada pelos atuais dirigentes.
“No vôlei de praia quem está na direção da CBV não sabe as condições de uma areia, qual é a areia perfeita para se jogar, qual espaço essencial entre os jogos para ter descanso… São pequenas coisas na parte que os atletas têm direitos e deveres que a CBV não tem contato direto. Se a comunicação for melhorada teremos melhores eventos, com a participação dos atletas e o produto voleibol será melhorado”, comentou.
Inspiração na Geração de Prata
Emanuel começou a jogar vôlei com 11 anos, inspirado pela Seleção Brasileira masculina que conquistou a histórica medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984. Com um time formado por Bernard, Renan, Montanaro, William e Xandó, o jovem garoto de Curitiba tomou gosto pela coisa e 12 anos depois foi ele quem representou o Brasil na estreia do vôlei de praia nas Olimpíadas, em Atlanta.
“Eu acredito que todo medalhista olímpico já é um herói. Comecei a jogar vôlei de praia e quadra por causa da medalha de prata da Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984. Eu tinha 11 anos de idade. Então isso significa que todos os medalhistas são heróis, acho que me considero um herói por tudo o que consegui conquistar, tudo que fiz em prol do Brasil e em prol do vôlei de praia”, disse, ciente da importância dos seus trabalhos para o esporte brasileiro.
Depois de sua estreia nos Jogos dos Estados Unidos, Emanuel ainda teria atuação discreta em Sidney antes de alcançar o ápice da carreira com a medalha de ouro na Grécia. Ele ainda conquistou o bronze em Pequim e a prata nas Olimpíadas de Londres, a última de sua carreira. Ao todo foram cinco participações nos Jogos Olímpicos. Mesmo com a idade avançada para um atleta de alto nível, correspondeu bem às exigências das areias nos últimos anos e garantiu que sua decisão não teve nada a ver com seu condicionamento. Atual campeã brasileira, a dupla Ricardo e Emanuel acabou ficando de fora dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, mas terminaram a última temporada com mais um título importante.
“O grande mote da minha carreira foi a preparação, sempre me preparei muito bem. Cuidei principalmente da parte física e nutrição durante todos esses anos. Eu e o Ricardo fomos campeões brasileiros no ano passado e fizemos uma preparação pré-olímpica muito digna. A grande questão é o futuro, o que está por vir. Tenho 42 anos e como não nos qualificamos para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, o próximo objetivo seria só em 2017, aí acredito que as coisas poderiam não sair da maneira que gostaríamos”, avaliou.
Quem deverá herdar o bastão será Alison e Bruno Schmidt. Alison foi o parceiro de Emanuel em Londres e juntos ficaram com a medalha de prata. Na visão do campeão, o capixaba de 2,03m de altura está preparado para superar todas as dificuldades de uma Olimpíada e ser o mais novo ídolo brasileiro no vôlei de praia. Por fim, ele ainda deixou um conselho para a dupla e acha que o segredo para o sucesso é ter união.
“O Alison foi uma grata surpresa. Quando começamos nossa parceria já estava pensando em aposentadoria, então a intenção era eu passar a experiência para ele e tentar fazer minha despedida de forma ideal. Mas o projeto foi tão bem-sucedido, ele cresceu tanto, que começamos a conquistar vários títulos. Hoje posso dizer que ele está preparado para representar bem o Brasil nos Jogos do Rio, principalmente por causa da maturidade e pela preparação que teve nos anos iniciais. Acho que a união é determinante no vôlei de praia e eu vejo isso acontecer entre ele e o Bruno Schmidt, já estão conseguindo sair das situações de dificuldades através da parceria e no esporte a única pessoa que você pode recorrer é seu parceiro, então a união é essencial para que dê tudo certo”, finalizou.
*especial para a Gazeta Esportiva
Fonte:Gazeta Esportiva
