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| Foto: AFP |
No próximo dia 29 de maio saberemos quem será o próximo presidente da FIFA para os próximos quatro anos. O atual presidente da entidade, Joseph Blatter, está no cargo desde 1998 e parte como o grande favorito. Das quatro candidaturas, apenas a de Ali Bin Al-Hussein (príncipe da Jordânia e vice-presidente da FIFA para a Ásia) continua de pé. Hoje, tanto Luís Figo (ex-jogador de futebol e membro do comitê da UEFA) como Michael van Praag (presidente da Associação de Futebol da Holanda) renunciaram suas candidaturas expressando a dificuldade existente num processo eleitoral tendencioso e excludente a favor de Blatter. Parece que ambos os candidatos passarão a apoiar a candidatura de Hussein.
Como funciona a eleição à presidência?
O Comitê Eleitoral ad hoc da FIFA designou Domenico Scala para presidir e supervisionar o processo eleitoral. Os candidatos devem ter um papel ativo dentro de uma associação vinculada ao futebol em dois dos últimos cinco anos prévios à eleição. Cada candidatura deve apresentar declarações de apoio de ao menos cinco associações membro.
Antes da votação, cada candidato terá quinze minutos para apresentar seus programas no congresso. Consecutivamente, todas as associações membros da FIFA que estejam presentes participarão da votação. No total, são 209 associações, federações e confederações nacionais de futebol com direto a voto.
Para que um candidato saia eleito no primeiro turno, deverá contar com 2/3 dos votos válidos. Nos seguintes turnos, o candidato deverá atingir a maioria simples (50% dos votos válidos). A cada turno, será eliminado o candidato que tiver menor número de votos até que tenhamos apenas dois candidatos elegíveis.
Apesar das renúncias, gostaria de compartilhar as linhas gerais das propostas de cada uma das candidaturas.
Joseph Blatter
Favorito na disputa, o mandatário suíço disputa a sua quinta eleição e terá o apoio de grande parte dos membros da FIFA. De sair novamente eleito, estará no cargo por 21 anos consecutivos(desde 1998 até 2019).
O dirigente não tem uma plataforma oficial de campanha o que nos dá a entender que pretende seguir com as mesmas políticas dos últimos anos e que aparentemente vem agradando a massa política da entidade.
Ali Bin Al-Hussein
O príncipe da Jordânia fez grandes esforços em elevar o futebol do país que representa. Desde 1999 assume a função de presidente da Federação Jordaniana de Futebol e em 2011 passou a ser o vice-presidente da FIFA na Ásia.
Sua plataforma destaca a restauração da credibilidade da FIFA através de uma maior inclusão dos membros, uma maior transparência e responsabilização e uma melhora na governança da entidade.
Na gestão do futebol, quer reforçar a ética do esporte na luta contra as discriminações, o racismo e o doping. Para isso querem melhorar os mecanismos levados a cabo pelas associações.
Por último, propõe uma revisão na realização das Copas do Mundo mediante um processo consultivo mais democrático e transparente, estabelecendo um sistema de rotatividade entre continentes.
Luís Figo
O ex-jogador e craque da seleção portuguesa, com passagens pelo Barça, Real e Inter de Milão chamou a atenção de todos quando no final do ano passado apresentou uma proposta de candidatura para a presidência da FIFA.
Apesar do pouco tempo como membro do comitê da UEFA, o português vem ganhando adeptos e apoios políticos dentro da indústria do futebol que querem ver uma mudança significativa dentro da FIFA.
Em sua plataforma, Luís Figo pretende revisar a estrutura da Copa do Mundo. Das diversas sugestões tem recebido, gostaria de contemplar um Mundial com 48 seleções a ser disputada em duas sedes de continentes diferentes.
Além disso, ele propõe uma maior participação das associações membro da FIFA e prioriza a criação de mecanismos de transparência mais eficientes dentro da entidade.
O português renuncia à sua candidatura reclamando a falta de possibilidades para expor sua plataforma nos congressos realizados anualmente, favorecendo exclusivamente ao atual presidente da entidade. Além disso, tentou organizar um debate de candidatos a ser transmitido pela BBC, mas não houve nenhum êxito.
Michael van Praag
Menos conhecido entre os outros candidatos, o atual presidente da Federação Holandesa de Futebol tem uma passagem de 16 anos como árbitro de futebol antes de se tornar um executivo da indústria.
Em sua plataforma, destaca uma Copa do Mundo com 40 países a partir de 2026 e defende uma atenção especial para as categorias de base e para os juízes e o sistema arbitral do esporte. Também considera necessário o corte em ações de marketing de elevado custo.
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Mesmo que haja movimentos de apoio à candidatura Al-Hussein, parece que uma vez mais não vai ser possível dar de frente com a maquinaria de Blatter desta vez. O esforço dos outros candidatos não deve ficar em vão e tomara que os tempos de mudança cheguem para o bem da democracia no futebol.
Esporte Internacional - Blog do Juan Carlos Abad
