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Luan teve ótima atuação em seu primeiro jogo de
Libertadores pelo Grêmio (Lucas Uebel/Divulgação)
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No futebol brasileiro geralmente é assim. A hora dos garotos, coincidentemente, é a hora em que dinheiro rareia. O Grêmio, que investiu fortunas para a primeira Libertadores na Arena, chega para a edição 2014 assim: folha salarial bem mais modesta e muitos jogadores baratos em busca de um lugar ao sol. A história gremista mostra que a fórmula atual costuma ser mais eficaz, e a ótima estreia com vitória sobre o Nacional-URU reforça essa ideia. Luan (93), destaque em Montevidéu, é o candidato a surpresa da vez.
Com ótima atuação e a maturidade digna de um veterano, o atacante lançado por Enderson Moreira desafia a tese de que a Libertadores não pode ser o torneio dos garotos. A trajetória de Luan se torna ainda mais surpreendente quando se descobre que ele só chegou aos gramados há dois anos e que jogou a Copa São Paulo 2013 pelo América de Rio Preto-SP.Criado no futsal, rodou no interior paulista e desembarcou aos juniores gremistas no último ano da categoria. Precisou de seis meses para, enfim, jogar.
“Ele tinha pouco tempo de campo, não aguentaria com a parte física. Foi uma grande convicção nossa”, explica Júnior Chávare, coordenador de formação do Grêmio. Luan passou um semestre no departamento Lapidar, criado em maio do último ano. O setor completa atividades realizadas com os garotos nos elencos da base: trabalha questões físicas específicas à posição que ocupam em campo, aperfeiçoam fundamentos técnicos e ajustam lacunas fisiológicas. “O jogador é filmado, vê tudo o que faz de errado…é ensinado até a correr corretamente”, define Chávare.
Ex-observador da Juventus-ITA no Brasil, o agora coordenador gremista é o grande responsável pela surpresa Luan. Antes mesmo da Copa São Paulo, ele tinha informações sobre o jogador, acompanhado de perto na competição em que anotou seis gols. Hoje um atacante capaz de jogar na meia, Luan era centroavante pelo América-SP e pertencia ao ainda mais modesto Tanabi. Agora, por um valor ínfimo que Chávare não revela, tem 90% de seus direitos econômicos ligados ao Grêmio.
Considerado um garoto bastante disciplinado e que dá ouvidos a todas orientações que recebe, Luan se mostra pronto para recuperar o tempo perdido de quem praticamente não jogou em categorias de base. Enquanto outros passam sete, oito anos na formação, ele desenvolveu suas habilidades visíveis no futsal e agora as coloca em campo. Hora também de recuperar o tempo perdido dos próprios gremistas após decepções com jovens que pintaram bem e não se confirmaram, como Bertoglio (9o), Leandro (93), Lucas Coelho (93) e, aparentemente, Yuri Mamute (95).
Fonte:Blog:Prata da Casa
